Defi: O que é, como funciona e como usar?

Se você ainda não sabe o que é DeFi, com certeza vai ficar sabendo depois de ler este artigo. E se você já conhece o termo, eu aposto que vai se surpreender com detalhes que ainda não conhecia.

A seguir, vamos falar sobre diversos temas envolvendo DeFi, como stablecoins, bolsas descentralizadas, staking, carteiras Web 3.0 e GameFi.

SUMÁRIO

  1. Finanças descentralizadas
    1. Uma revolução financeira
    2. Finanças tradicionais e seus problemas
    3. A descentralização das finanças e suas oportunidades
    4. Alguns termos de finanças descentralizadas
  2. DeFi: o que é
    1. Uma breve história de DeFi
    2. Como e por que DeFi funciona?
      1. Blockchain
      2. Smart contracts
      3. dApps
      4. Produtos em DeFi
    3. Money legos: o ecossistema de DeFi
  3. Produtos e Serviços em DeFi
    1. Stablecoins
      1. Tipos de stablecoin
    2. Empréstimos de cripto
      1. Supercolateralização de empréstimos
      2. Emprestando suas criptos para obter juros
      3. DeFi 2.0 e os empréstimos que se pagam sozinhos
    3. Bolsas descentralizadas (DEXes)
      1. Bolsas centralizadas e seu funcionamento
      2. A grande inovação das bolsas descentralizadas
      3. Limitações das DEXes
    4. Seguros
    5. Gestão Financeira
    6. Governança
    7. GameFi
  4. Participando (e ganhando) no ecossistema DeFi
    1. Carteiras Web 3.0
      1. Carteiras custodiais versus não custodiais
    2. Staking
      1. Promovendo liquidez
      2. Yield farming ou liquidity mining
      3. Votação
  5. DeFi: a nova fronteira das finanças
  6. Sobre o autor

FINANÇAS DESCENTRALIZADAS

UMA REVOLUÇÃO FINANCEIRA

Se você nunca ouviu falar sobre finanças descentralizadas, ou DeFi (Decentralized Finance), você não está sozinho. Só recentemente o mercado de criptomoedas tem pegado tração, passando a ser cada vez mais discutido e divulgado em todas as mídias. Isso tem ocorrido especialmente nos últimos dois anos, com as subidas explosivas de preço de vários ativos criptográficos.

Finanças descentralizadas é um novo movimento dentro de cripto, que vem sendo construído desde 2017, mas tomou forma e peso apenas em 2020.

Valor total alocado em dólares em projetos DeFi. Fonte: DeFi Pulse.

Até janeiro de 2020, o valor total de dólares alocados em projetos de DeFi dificilmente passava dos US$ 10 bilhões. Hoje, 2 anos depois, estamos próximos de US$ 100 bilhões.

Mas, afinal, o que são finanças descentralizadas? Este artigo tem como objetivo apresentar ao leitor os principais aspectos, produtos e serviços de DeFi. Só que antes, é preciso discutir as finanças tradicionais e suas características.

FINANÇAS TRADICIONAIS E SEUS PROBLEMAS

Centralização, acessibilidade, transparência.

Sistemas financeiros tradicionais por todo o mundo têm como base os bancos. Bancos são instituições responsáveis por gerir desde os processos mais básicos até os mais complexos de todo o sistema financeiro, se encarregando de:

  • Guardar, proteger e contabilizar corretamente os recursos de pessoas e instituições.
  • Facilitar e gerir transações.
  • “Alugar” dinheiro para pessoas e instituições por meio de empréstimos.

Para isso, bancos cobram taxas de serviço e criam políticas de funcionamento, que, por muitas vezes, não são claras para os consumidores – e certamente não são inclusivas. Qual foi a última vez em que um consumidor teve voz na definição das regras de funcionamento e taxas de um banco?

Decisões, processos e políticas são definidos de forma centralizada e podem ser alterados a qualquer momento sem avisos, como aconteceu com o Twitter ao longo dos anos. Desenvolvedores construíram dezenas, talvez centenas de startups com base nos dados e regras de funcionamento do Twitter, até que, do dia para a noite, as regras mudaram, inviabilizando a maior parte desses negócios.

Claro que, no caso dos bancos, centralização significa também maior fiscalização e regulamentação, o que deveria deixar os consumidores mais seguros. Mas há diversos casos de crise financeira aguda em que os consumidores, com medo da insolvência dos bancos, correram para retirar dinheiro e não puderam obter seus valores depositados. Temos até mesmo o icônico caso de confisco da poupança no governo Collor.

Com isso, tivemos aprendizados claros: é confortável confiar em entidades centralizadoras até ser tarde demais. O custo da confiança é alto, especialmente em lugares como o Brasil. Por isso, começaram a surgir sistemas de tecnologia que descentralizam a governança e a tomada de decisão, criando acessibilidade quase ilimitada e sendo transparentes aos participantes. Com isso, eles passaram a ganhar grande notoriedade.

A DESCENTRALIZAÇÃO DAS FINANÇAS E SUAS OPORTUNIDADES

Com o advento da blockchain – tecnologia que embasa o funcionamento de todos os criptoativos – 13 anos atrás, criou-se uma nova rede financeira, que tem se transformado em um sistema financeiro completo. Essa nova rede, nascida com o Bitcoin, é fundamentalmente:

  • Descentralizada: ninguém é dono da rede e ninguém sozinho pode mudar as regras dela.
  • Acessível: todos podem participar, sem barreiras de entrada.
  • Transparente: toda informação sobre transações e balanços da rede está disponível para todos os participantes a todo momento.

A combinação dessas 3 características faz com o que o sistema seja trustless, ou sem necessidade de confiança nas instituições. Todas as regras dos serviços são definidas em software, e os processos são executados por eles, sem intervenção de pessoas. Assim, não precisamos ter receio de que as regras mudem repentinamente, ou que serviços sejam negados a grupos de pessoas de forma arbitrária.

Sobre a tecnologia blockchain, novos produtos e serviços financeiros têm nascido com essas mesmas características. Eles permitem que pessoas de qualquer lugar do mundo, com um celular ou computador conectado à Internet, tenham acesso a produtos financeiros que trazem diversas vantagens.

Entre elas, permitir fugir da inflação local, receber rendimentos mais altos que a maior parte dos produtos financeiros locais e, especialmente, obter serviços similares aos dos bancos a custo zero ou muito próximo disso.

Outra consequência notável das 3 características de blockchains é que, além de usufruir abertamente, qualquer um pode criar e participar desses produtos e serviços, enriquecendo o ecossistema e, por muitas vezes, obtendo lucros no processo.

ALGUNS TERMOS DE FINANÇAS DESCENTRALIZADAS

Antes de falarmos sobre DeFi, é importante apresentar alguns termos para que todo mundo consiga entender do que se trata. Aqui vai um breve glossário:

Criptomoedas/Cripto: São as moedas criptográficas fungíveis, usadas essencialmente como dinheiro digital. Exemplos: Bitcoin, Ether (da rede Ethereum) e BNB (da Binance).

Criptoativos/Ativos criptográficos: Este termo se refere tanto às moedas criptográficas mencionadas acima quanto aos ativos digitais não fungíveis, os famosas NFTs. Eles podem ser várias coisas, como obras de arte digitais, músicas, itens de jogos ou até apólices de seguro (como veremos a seguir).

Cesta de criptoativos: É um conjunto de criptoativos. Pensando em uma carteira, pode ser um conjunto de bitcoins, BNBs e NFTs. É como o termo “cesta de ativos”, que se refere a um conjunto de ações no mercado financeiro tradicional.

DEFI – O QUE É

UMA BREVE HISTÓRIA DE DEFI

Há quem diga que DeFi nasceu junto com o Bitcoin, uma vez que o papel do Bitcoin é servir de sistema financeiro digital em que os participantes podem transferir valor pela Internet, sem as barreiras e taxas do sistema bancário tradicional.

Mas as coisas realmente começaram a pegar tração em 2018, quando a MakerDAO, protocolo na rede Ethereum, lançou a primeira criptomoeda com valor fixado em 1 dólar – o que hoje chamamos de stablecoin, ou moeda estável. Nesse protocolo, qualquer um poderia pegar um empréstimo na criptomoeda DAI usando como colateral seus ETH.

Assim nasceu o primeiro sistema de empréstimos descentralizados, completamente intermediado por software e regido por uma comunidade digital. A partir disso, novos produtos financeiros foram lançados em sequência.

Entre eles, estão o Compound, o primeiro a criar um mercado de emprestadores e tomadores de empréstimos, e o Uniswap, a primeira plataforma de compra e venda de criptoativos descentralizada e permissionless (sem a necessidade de permissão).

Hoje, o ecossistema DeFi conta com centenas de aplicações, com produtos e serviços dos mais diversos, cobrindo boa parte dos serviços financeiros tradicionais e explorando inovações em diversas direções.

COMO E POR QUE DEFI FUNCIONA?

Uma breve introdução a blockchain, smart contracts e dApps.

Para que tudo isso faça sentido, é primordial entender como a tecnologia que torna tudo isso possível funciona. Está além do escopo deste artigo explorar com profundidade como blockchains funcionam em todas as suas nuances, mas seguiremos com uma introdução.

BLOCKCHAIN

Blockchains são bancos de dados descentralizados, em que ninguém sozinho tem controle pleno sobre as regras e funcionamentos do sistema, e todo e qualquer participante pode interagir com o banco, lendo ou escrevendo informações nele.

Se chamam blockchains pelo seu funcionamento: as informações sobre eventos da rede – transações ou execuções de software, por exemplo – são agrupadas em blocos de tamanho determinado, e verificadas pelos validadores da rede. Uma vez validado, o bloco de eventos é “colado” com os blocos históricos do sistema, formando uma “cadeia de blocos” ou “blockchain”.

Com aplicação de criptografia e outras técnicas computacionais, os eventos registrados na blockchain são imutáveis, tornando virtualmente impossível falsificar registros no banco de dados.

SMART CONTRACTS

Os contratos inteligentes são softwares registrados em uma blockchain, que podem ser vistos e usados por todos, mediante cumprimento das condições especificadas no código. Por exemplo, é possível criar um contrato inteligente de garantia de troca, em que o dinheiro de uma venda só é liberado ao vendedor quando uma confirmação de recebimento é verificada pelo contrato.

DAPPS

São Decentralized Applications, ou aplicativos descentralizados. São uma gama de aplicativos, como os que temos no celular, mas que se comunicam com os contratos inteligentes que os regem, facilitando a interação dos participantes com a blockchain e seus smart contracts.

PRODUTOS EM DEFI

Os produtos em DeFi nada mais são do que conjuntos de smart contracts que verificam e executam operações, como transferência de valores mediante compra e venda ou liquidação de colaterais de um empréstimo, quando um criptoativo atinge um determinado valor.

Nós podemos interagir com esses contratos via programação, o que é limitado a quem tem habilidades técnicas, ou via dApps, com interfaces mais amigáveis, como os sites e aplicativos que conhecemos.

MONEY LEGOS: O ECOSSISTEMA DE DEFI

Por serem produtos tecnológicos abertos e transparentes, qualquer um ganha a capacidade de programar dinheiro no ecossistema DeFi. A noção de dinheiro programável, por meio de tokens e serviços financeiros, é extremamente disruptiva, uma vez que não há limites para os experimentos financeiros que podem ser criados.

Com toda a flexibilidade de criação, o ecossistema tem funcionado com base em “money legos”ou legos de dinheiro. Cada protocolo é essencialmente um produto ou serviço financeiro experimental, que utiliza em sua base os protocolos e serviços bem-sucedidos do passado, expandindo assim a capacidade total do ecossistema.

Por exemplo, um protocolo DeFi pode usar a rede Ethereum como sistema operacional, o protocolo MakerDAO para gerir empréstimos em DAI usando cripto como colateral, o Uniswap para comprar e vender ativos, e o Yearn Finance para aplicar capital parado em estratégias automáticas de investimento, gerando retorno na forma de juros.

Tudo isso de forma automática através de smart contracts. Uma vez testado e funcionando corretamente, caso apresente uma estratégia financeira lucrativa, ou que reduza risco, outros protocolos podem ser criados para alavancar essa mecânica específica de diversas outras formas, aumentando ainda mais o conjunto de possibilidades de serviços financeiros da rede.

PRODUTOS E SERVIÇOS EM DEFI

STABLECOINS

Stablecoins são os criptoativos mais importantes do ecossistema cripto. As stablecoins, ou “moedas estáveis”, utilizam diversas metodologias para o mesmo fim: garantir que o valor da moeda esteja fixado a um ativo do mundo físico, como dólares ou ouro, de forma a espelhar seu preço. Uma stablecoin de dólar, por exemplo, tem como objetivo valer sempre 1 dólar por token, com variações mínimas de preço.

À primeira vista, isso não parece suficiente para dizer que é um criptoativo tão importante, mas em um mundo em que variações de 10%, 15% ou até 30% ao dia são frequentes, e a conversão de dinheiro comum para criptoativos em corretoras é ação cabível de imposto, stablecoins surgem como soluções elegantes.

Assim, o investidor não precisa estar todo o tempo exposto às variações de preço do mundo cripto, ao mesmo tempo em que não precisa converter suas cripto em dinheiro para esse feito.

Nem toda stablecoin é feita igual, e é importante entender as diferenças entre elas, para assim avaliar os riscos de deixar seu dinheiro estacionado neste tipo de ativo. A seguir, vamos ver os diferentes tipos de stablecoin.

TIPOS DE STABLECOIN

Crypto-Backed Stablecoins

O primeiro tipo de stablecoin criado, o token DAI, emitido pela MakerDAO, vale sempre 1 dólar e é lastreado em ETH com um sistema dinâmico de empréstimos. Outros projetos utilizam uma cesta maior de criptoativos com implementações um tanto complicadas, mas, em essência, os projetos mantêm o valor de 1 dólar do token equilibrando oferta e demanda.

Riscos

Por serem lastreadas em outros criptoativos, os protocolos emissores dessas stablecoins são transparentes e normalmente descentralizados, oferecendo segurança quanto à origem do valor do token. No entanto, variações muito extremas dos ativos de base podem desequilibrar a stablecoin de forma permanente.

Por isso, é muito importante observar o tamanho em valor e a qualidade da cesta de criptoativos que lastreiam a moeda. Um protocolo que tenha como base criptoativos sólidos, como ETH, e em quantidades gigantescas, é mais seguro do que pequenos protocolos com poucos milhões em ativos duvidosos.

Fiat-Backed Stablecoins

São stablecoins lastreadas em reservas de dinheiro e outros ativos financeiros. As stablecoins mais comuns desse tipo são: USDT, USDC e BUSD.

Neste caso, o token serve como uma nota promissória que diz “esta cripto pode ser trocada por um dólar”, já que seu valor é traduzido diretamente por dólares na conta bancária da empresa emissora.

Riscos

Por serem lastreadas em ativos financeiros no mundo físico, as Fiat-Backed Stablecoins são sempre emitidas por entidades centralizadas e nem sempre muito transparentes. Por isso, o quanto podemos confiar no valor do token depende do quanto podemos confiar na empresa emissora.

A Tether por exemplo, responsável pela emissão do USDT, esteve envolvida em polêmicas e problemas legais por não dar clareza suficiente sobre os ativos financeiros que lastreavam seu token. Se confirmado que suas reservas eram insuficientes para lastrear os bilhões de dólares emitidos em USDT, todo o valor do token poderia tender a zero.

Assim como as outras stablecoins, este tipo de token mantém seu valor estável por ser lastreado em um montante igual de commodities como petróleo, ouro ou outros metais preciosos. O exemplo mais proeminente é o Paxos Gold, com o token PAXG, que espelha o preço do ouro por ser lastreado em reservas do metal.

Commodity-Backed Stablecoins

Riscos

Essas stablecoins sofrem com uma combinação de riscos das duas anteriores: as entidades emissoras são centralizadas e precisamos confiar no estoque de ativo base que elas dizem ter, ao mesmo tempo em que a estabilidade da stablecoin depende da estabilidade do ativo base. Por isso, valorizações extremas de preço no ativo base podem desestabilizar a stablecoin.

Algorithmic Stablecoins

As stablecoins algorítmicas são as versões mais modernas e experimentais do ativo. Elas não possuem lastro, e seu valor é estabilizado por algoritmos, descritos e aplicados em smart contracts que agem como um banco central do token. Eles medem a demanda e oferta do token no mercado constantemente e ajustam taxas de emissão e queima dele.

Riscos

Por serem essencialmente frutos de software em smart contracts, o principal risco dessas stablecoins é tecnológico. Bugs ou ataques de hackers que manipulem as informações utilizadas pelos algoritmos para regular a oferta e demanda podem desestabilizar o token.

EMPRÉSTIMOS DE CRIPTO

Empréstimos em cripto nasceram junto com as stablecoins, quando MakerDAO primeiro lançou o token DAI. Para tomar um empréstimo em DAI – token com valor fixado em 1 dólar – um usuário precisa “trancar” seus ETH em uma proporção de 150% do valor desejado de empréstimo. Em outras palavras, o usuário precisa dar de garantia 150 dólares, caso queira um empréstimo de 100 dólares em DAI.

Para quem tem qualquer experiência com o mercado financeiro, a noção de precisar ter alguma garantia para tomar um empréstimo é comum. A grande diferença é que, no mundo tradicional, nossos bancos têm nosso histórico de transações, salários, situação profissional, entre outras informações que os permitem nos avaliar em termos de potencial de pagar o empréstimo. Assim, normalmente não precisamos demonstrar garantias em mãos maiores do que queremos pedir emprestado.

Em cripto, ainda não temos bons sistemas de avaliação de crédito. Sendo assim, os protocolos e empresas fornecedoras de empréstimos precisam de alguma garantia de que o valor será pago, cobrando um colateral maior do que se é pedido de empréstimo, o que chamamos de supercolateralização de empréstimos.

SUPERCOLATERALIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS

Cobrar de garantia valores maiores do que se pede de empréstimo parece não fazer sentido do ponto de vista do usuário. Afinal, para adquirir um empréstimo de cripto, é necessário ter valor superior ao pedido em mãos. Mais fácil seria apenas vender os ativos e utilizar o dinheiro, certo?

Não é tão simples assim. Vender suas criptos significa deixar de aproveitar (ou sofrer!) as flutuações de preço do mercado. Se você tem bons motivos para crer que o ativo que tem em mãos vai se valorizar consideravelmente no futuro, é mais arriscado vender suas criptos e perder a valorização, do que adquirir uma dívida com base em sua cripto. Assim você pode desfrutar do capital, sem perder controle dos seus ativos.

A depender da legislação sobre impostos de cripto em um país, a diferença entre vender seus ativos para ter capital e adquirir uma dívida em forma de empréstimo sobre suas criptos pode significar pagar muito ou nada de imposto no ano.

EMPRESTANDO SUAS CRIPTOS PARA OBTER JUROS

Da mesma forma que um usuário pode tomar empréstimos em cripto, usando seus tokens como colateral, ele também pode emprestar seus tokens no mercado em troca de juros. Empréstimos em cripto são regidos por smart contracts, que controlam automaticamente o monitoramento dos valores de ativos usados como colateral, a liquidação desses ativos para garantir solvência e todos os outros processos relacionados a emprestar e tomar emprestado capital em cripto.

Os protocolos e instituições responsáveis por esses serviços variam em grau de descentralização e transparência, desde empresas completamente reguladas, como a Celsius e Aave, até protocolos completamente descentralizados como MakerDAO.

A parte mais interessante, no entanto, está nos valores pagos em juros nesse mercado. Em algumas plataformas, é possível obter 10% ou mais de juros em stablecoins, ativos que oferecem muito pouco risco por manterem seu valor estável. Juros assim são muito maiores do que é possível obter no mundo tradicional, e todo valor de retorno muito alto deve ser sempre inspecionado, para garantir que não seja fraudulento ou simplesmente uma pirâmide.

Esses juros altos, no entanto, vêm essencialmente da necessidade de crédito de negócios de criptoativos nativos, como mineradores de Bitcoin. Os mineradores, por terem a maior parte dos seus ativos financeiros em Bitcoin, dificilmente conseguem tomar empréstimos em bancos, que desconsideram ou não sabem como contabilizar Bitcoin como garantia de crédito.

Assim, essas empresas, muitas vezes com muito capital disponível, estão dispostas a pagar muito mais caro por crédito no mercado de cripto do que seria no mundo tradicional, já que não têm acesso a esse recurso. Isso não significa, no entanto, que taxas exorbitantes de juros não sejam suspeitas. Todo provedor de empréstimos em cripto deve ser profundamente avaliado pelo usuário antes de tomar qualquer decisão e se expor a riscos.

DEFI 2.0 E OS EMPRÉSTIMOS QUE SE PAGAM SOZINHOS

Por ser um ecossistema tecnológico pautado na inovação, com cada protocolo funcionando como “legos de dinheiro”, o espaço de DeFi não para de crescer e inovar. A todo segundo, novos experimentos são lançados, com novas propostas, utilizando de formas cada vez mais criativas os protocolos e serviços já estabelecidos.

A onda de inovações mais recente nos serviços financeiros de DeFi é intitulada DeFi 2.0, caracterizada por mecanismos mais sustentáveis de atração de liquidez para protocolos, além de novos tipos e serviços financeiros. Um dos mais notáveis é o do protocolo Alchemix, que permite adquirir empréstimos utilizando suas criptos como colateral.

Mas, diferentemente de outros protocolos, seu colateral não fica apenas trancado em um contrato sem ser utilizado. Ele fica aplicado em outros protocolos, servindo de empréstimo ou provedor de liquidez para obter juros em retorno. Assim, o protocolo promete empréstimos sem liquidação, e utiliza os juros de rendimento do seu colateral para pagar os juros do empréstimo tomado.

BOLSAS DESCENTRALIZADAS (DEXES)

DEXes, ou Decentralized Exchanges, são bolsas ou mercados descentralizados, regidos puramente por smart contracts. Os mais famosos hoje são Uniswap, Sushiswap e PancakeSwap. Por operarem diretamente na blockchain, elas são completamente transparentes e não custodiais.

Isso significa que, para transacionar nesses mercados, seu dinheiro nunca deixa de estar sob seu controle. Para apreciar melhor a inovação que as DEXes trouxeram, é importante primeiro passarmos pelas características das CEXes, ou melhor, das bolsas centralizadas.

BOLSAS CENTRALIZADAS E SEU FUNCIONAMENTO

As Centralized Exchanges (CEXes) são as bolsas e corretoras que conhecemos normalmente. No Brasil, temos a Mercado Bitcoin. No mundo, temos a Binance, Kucoin, Kraken, entre outros. Essas bolsas são geridas por empresas pró-lucro que precisam se ajustar a legislações e procedimentos como o KYC – Know Your Costumer, processo de validação de documentos para permissão de compra/venda.

Para participar de qualquer uma delas, é necessário depositar suas criptos em uma conta da corretora. Isso significa perder o controle do seu capital, uma vez que a corretora pode bloquear seu acesso ou simplesmente fugir com seu dinheiro, como já aconteceu dezenas de vezes ao longo da história do mercado de cripto. Por isso, pesquisa e confiança são chaves na hora de comprar ou vender criptoativos em corretoras descentralizadas.

Outro fator relevante é que essas bolsas definem o que pode e o que não pode ser comercializado em suas plataformas.

A GRANDE INOVAÇÃO DAS BOLSAS DESCENTRALIZADAS

As DEXes alavancam os smart contracts, criando novos mecanismos de formação de mercado, permitindo mercados abertos, em que qualquer um pode participar sem restrição ou verificação. Além disso, qualquer um pode criar um mercado para um novo ativo, sem precisar de validação ou restrição de qualquer agente.

Por um lado, projetos podem criar seus tokens e levantar capital em bolsas descentralizadas com uma facilidade nunca antes vista. Por outro, o usuário deve tomar sempre muito cuidado para garantir que está comprando o token certo, e não uma versão fraudulenta criada por golpistas.

Poder comprar e vender criptoativos sem restrição, sem perder o controle sobre seu capital e ter acesso a opções irrestritas de ativos são vantagens importantes em um mundo de liberdade financeira e inovações aceleradas. Graças a isso, usuários hoje têm acesso a oportunidades de investimentos antes limitadas a bancos e fundos de investimento, podendo participar desde o dia 0 de criação de novas empresas e projetos disruptivos.

LIMITAÇÕES DAS DEXES

Ser um mercado de tudo e para todos é uma inovação incrível. Mas mercados de ativos muito novos, de baixa liquidez, são mais arriscados aos usuários, já que pequenas quantias transacionadas podem ter grandes impactos de preço. Além disso, as DEXes costumam ser consideravelmente mais lentas que as bolsas centralizadas, tendo uma experiência de uso consideravelmente pior.

Por serem descentralizadas, você é seu próprio banco. Transações erradas, compras fraudulentas e hacks são normalmente irreversíveis e não tem muito suporte do protocolo. Por isso, todo cuidado é pouco.

SEGUROS

Falando em riscos, DeFi também não tem falta de mais um elemento fundamental do mercado financeiro: as seguradoras. Também alavancando smart contracts, seguradoras descentralizadas foram formadas, como a Nexus Mutual, em que o usuário pode comprar apólice de seguro para a maior parte das aplicações mais comuns de DeFi, protegendo-se assim de falhas técnicas e hacks.

Assim como no mercado de empréstimos, no mercado de seguros, um usuário pode tanto ser o comprador de apólices quanto o vendedor, comprando o risco de indenizar o comprador da apólice, caso algo aconteça.

GESTÃO FINANCEIRA

Fundos de investimentos descentralizados também surgiram recentemente, vindo com diversas formas e funcionamentos. Um dos mais conhecidos é o Yearn Finance, um protocolo de investimentos automáticos em que o usuário pode colocar seus fundos em “cofres” com estratégias definidas. Elas são executadas automaticamente por smart contracts uma vez que o algoritmo encontra as melhores oportunidades de rendimentos em cripto, dada estratégia definida pelo “cofre”.

Outros protocolos permitem que gestores aloquem em criptoativos os fundos de usuários de acordo com estratégias pré-definidas, como um fundo de investimentos tradicional, mas sem que os fundos saiam do controle do usuário.

GOVERNANÇA

Dos experimentos financeiros borbulhando no espaço de Defi, poucos são tão interessantes quanto os de governança. Quando falamos de descentralização de blockchain, normalmente estamos falando da descentralização da informação. No mundo cripto, os dados de navegação e uso dos serviços e protocolos não ficam retidos nos servidores das grandes empresas de tecnologia, mas sim na blockchain, que é transparente e de todos (quando pública).

Mas quando falamos de protocolos, como os responsáveis por emissão de stablecoins, ou empréstimos de cripto, estamos falando de governança. Isso significa que a tecnologia não é desenvolvida, gerida e aplicada por uma entidade central que decide tudo de acordo com seus interesses, mas sim por um grupo de indivíduos que toma decisões em conjunto com sua comunidade, de forma democrática.

Essas comunidades descentralizadas são chamadas de DAOs – Decentralized Autonomous Organizations ou Organizações Autônomas Descentralizadas. Já fizemos um artigo aqui no P2E CREW sobre esse assunto: DAO: você sabe o que é uma Organização Autônoma Descentralizada?

A democracia dos projetos em cripto é feita por meio de tokens de governança e varia muito em formato e regras de votação. Isso dá muito mais participação e voz ativa para a comunidade, em contraste com o que ocorre com ações no mundo tradicional.

Isso também gera discussões e experimentos profundos sobre funcionamentos e processos de tomada de decisão pública, com ponderações que vão desde como os tokens de governança são distribuídos até como são contabilizados como votos, para não incorrer em regimes plutocráticos.

GAMEFI

Por fim, mas não menos importante, devemos mencionar as revoluções que cripto tem trazido para o mundo dos jogos, ao mesmo tempo em que os jogos têm trazido grandes inovações ao mundo de finanças.

GameFi é um termo amplo, normalmente se referindo ao mundo dos jogos de blockchain, em que ativos digitais como itens de jogos são transformados em NFTs, concedendo a eles escassez e registro de posse imutável em blockchain.

Dessa forma, itens de jogos acabam se tornando ativos financeiros e criando novas mecânicas econômicas que permitem geração de renda para jogadores que saibam tirar proveito dessas mecânicas, mesmo que não sejam jogadores profissionais.

O maior expoente desse tipo de jogo é o Axie Infinity, game que mistura elementos de Pokémon e jogos de cartas. Lançado em 2018, hoje atinge milhões de jogadores diários e um valuation na casa dos bilhões de dólares.

Com seu maior “boom” durante a pandemia, jogadores de Axie Infinity nas Filipinas conseguiram fazer mais que seus salários mensais em poucas semanas de jogo, tornando o Axie um fenômeno global. Também já falamos sobre o Axie Infinity aqui no P2E CREW: Axie Infinity: aprenda como jogar.

A financeirização dos jogos, com a chegada dos NFTs, foi apenas uma das direções de inovações no espaço cripto. A gamificação das finanças também vem ocorrendo, com jogos como Mobox ou DeFi Kingdoms.

Neles, explorar e interagir com serviços financeiros em cripto é algo que recebe uma roupagem de jogo, na forma de quests que geram recompensas em cripto, além de aprendizado sobre finanças para o usuário.

PARTICIPANDO (E GANHANDO) NO ECOSSISTEMA DEFI

CARTEIRAS WEB 3.0

Para interagir com a Internet tradicional, que chamamos de Web 2.0, usamos navegadores. Do mesmo modo, para interagir com a Web 3.0 – ou Internet descentralizada – e todo o ecossistema cripto, também precisamos de um veículo especial. Estamos falando das carteiras Web 3.0 ou carteiras cripto.

Embora o nome sugira que essas carteiras guardem seus criptoativos, não é bem assim. Os criptoativos vivem sempre nas blockchains e nunca as deixam, uma vez que são apenas registros de posse nesse banco de dados descentralizado. Esses registros estão atrelados a chaves criptográficas – algo similar a login e senha – e quem possui as credenciais de acesso ao registro tem a garantia de posse dos criptoativos da conta.

As carteiras, então, servem de gestores de autenticação. Elas guardam as chaves criptográficas das suas contas na blockchain e ajudam a gerir várias contas ao mesmo tempo, servindo assim como um passaporte para fazer login em aplicativos descentralizados (dApps), além, claro, de gerenciar e facilitar as transações de criptoativos entre carteiras e contas.

É com suas carteiras Web 3.0 que é possível fazer logins em jogos de GameFi, comprar e vender ativos em bolsas descentralizadas, transferir fundos para outras pessoas, adquirir apólices de seguros ou depositar recursos em fundos de gestão financeira descentralizados.

CARTEIRAS CUSTODIAIS versus NÃO CUSTODIAIS

A principal carteira Web 3.0 hoje é a Metamask. A maioria esmagadora de dApps desenvolvidos tem como prioridade garantir que no mínimo a Metamask consiga servir como passaporte para interagir com os smart contracts que compõem o dApp.

No entanto, a Metamask é uma carteira não custodial. Isso significa que ela não retem o acesso a seus criptoativos. Ela não sabe quem é dono do quê, nem guarda registros de recuperação de usuários.

Por um lado, isso significa que ninguém mais pode ter acesso aos seus fundos enquanto suas chaves de acesso estiverem seguras, ou seja, ninguém pode fugir com seu dinheiro. Mas, por outro, significa que você é o único responsável pela segurança da carteira. Perder ou ter suas chave de acesso roubadas implica em perder seus criptoativos provavelmente para sempre.

Se você me perguntar, direi que acho uma boa troca entre soberania e autonomia versus segurança, se você sabe minimamente o que está fazendo.

No lado oposto, temos as carteiras custodiais, que incluem todas as carteiras registradas em bolsas de cripto como a Binance, Mercado Bitcoin, Kraken etc. Nessas carteiras, você nunca tem realmente acesso a suas chaves de acesso da blockchain, o que significa que você não é o real dono dos criptoativos, e sim a corretora.

É necessário então uma forte confiança na corretora, de que ela jamais irá fugir com seu dinheiro – algo que aconteceu e ainda acontece com certa frequência no mundo cripto.

Por isso, ambas soluções precisam de um certo nível de estudo e dedicação, seja para garantir que você pode confiar na corretora que usa para comprar e vender seus criptoativos, seja para se sentir confortável com o nível de segurança das suas chaves de acesso.

STAKING

Ao emprestar suas criptos, provar que tem colateral suficiente para um empréstimo ou depositar fundos em um serviço de gestão financeira automática, é necessário “trancar” seus criptoativos em um smart contract. Esse processo é chamado de staking.

Todas essas interações descritas são diferentes de uma simples transferência – toda transferência em cripto é irreversível. Em staking, o usuário está depositando seus fundos em um contrato inteligente sob determinadas condições – que devem ser atendidas, caso contrário não é possível efetuar o depósito. Da mesma forma, ele pode retirar seus fundos uma vez que as condições sejam cumpridas.

Mas o staking não é usado apenas para usufruir de serviços em cripto. Existem oportunidades de ganho para as diferentes oportunidades de staking em DeFi.

PROVENDO LIQUIDEZ

Imagine um mundo onde existam apenas 100 maçãs. Ao comprar 30 dessas maçãs, sobram apenas 70 maçãs para todo o mundo, deixando as maçãs que sobraram significativamente mais caras. Em contratos, um mundo com milhões de maçãs, a compra de 50 maçãs não impacta nada no preço do restante.

Sendo assim, o mercado de maçãs é muito líquido – maçãs são facilmente encontradas e dificilmente alguém sozinho conseguiria impactar no preço global dessas frutas. Esse é o conceito de liquidez no mundo financeiro: a facilidade de um ativo ser trocado sem variar de valor de forma significativa.

Quando falamos das DEXes, ou das bolsas descentralizadas, comentamos sobre o seu potencial de abrir mercados para virtualmente qualquer pessoa e qualquer ativo digital. Como todos os mercados financeiros, também estes – por meio de um par de troca, por exemplo, Bitcoin e Ether – precisam de alta liquidez, de forma que, ao comprar um pouco de Ether, o preço não varie muito.

Como as bolsas são descentralizadas, elas não podem depender da liquidez provida por empresas especializadas, como nos mercados tradicionais. Assim, toda a liquidez vem dos usuários, que fazem staking de suas criptomoedas, permitindo que seus recursos sejam usados para prover liquidez ao mercado em troca de uma parcela das taxas de transação da bolsa.

YIELD FARMING OU LIQUIDITY MINING

Quando mercados – especialmente os de criptomoedas novas, de projetos recém-criados – têm pouca liquidez, dificilmente o projeto consegue crescer, já que cada pequena compra do token tem grande impacto no preço, o que faz com que o preço médio de compra de um usuário seja mais alto do que deveria.

Os projetos nascentes então passaram a oferecer exorbitantes taxas de juros – pagos sempre no token do projeto – para quem fizer staking de suas criptomoedas em prol de aumentar a liquidez daquele mercado específico.

Grandes oportunidades de ganho existem para os usuários que encontram esses projetos nascentes e contribuem para o crescimento da comunidade ao prover liquidez. Muitas vezes, eles pulam com staking de projeto em projeto, buscando as maiores taxas de remuneração, o que é chamado de mineração de liquidez, ou liquidity mining. Muitas vezes é chamado também de yield farming.

VOTAÇÃO

Por último, mas não menos importante, uma das modalidades mais comuns de staking é para participação na governança de um projeto descentralizado. Comentamos antes sobre as DAOs e os sistemas descentralizados de governança que têm como base tokens de governança.

Votos em propostas de comunidades descentralizadas – seja para decidir como alocar o fundo comunitário, seja para sugerir o desenvolvimento de uma melhoria tecnológica no produto ou serviço que a comunidade oferece – são normalmente contados via staking.

Uma vez que o usuário participa da votação, ele deve “trancar” seus fundos para votar a favor. Uma vez finalizado o prazo de votação, seus fundos são estornados e sua participação é normalmente recompensada em tokens da comunidade.

DEFI: A NOVA FRONTEIRA DAS FINANÇAS

As finanças descentralizadas são claramente um espaço digno de atenção. Por ser aberto e transparente, possibilitando a participação e verificação de tudo o que acontece por todos, DeFi se tornou o maior hub de inovação financeira digital.

O funcionamento de legos de dinheiro gera um efeito de “quanto mais se inova, mais inovações são possíveis”, com um ritmo difícil de ser alcançado pelo setor de finanças tradicionais. Não é à toa que grandes bancos têm prestado crescente atenção nesse espaço, e uma boa aposta é ver uma fusão do sistema tradicional com o sistema financeiro DeFi.

Ainda temos muito chão para percorrer e estamos apenas pavimentando o caminho para a criação do que deve ser o sistema financeiro do futuro, em que as dimensões físicas e digitais se fundirão por completo. E, desta vez, temos a possibilidade sem precedentes de participar e ajudar a moldar esse espaço.

Podemos nos envolver com protocolos descentralizados e participar de votações em temas chave do funcionamento financeiro dessas tecnologias. Podemos prover liquidez ou emprestar nosso capital em cripto, ajudando a aumentar o mercado e fomentar o desenvolvimento de novos legos de dinheiro no espaço.

Podemos investir em projetos nascentes com potencial disruptivo, como antes apenas grandes empresas podiam. Por fim, podemos construir novas formas de dinheiro programável, criando novos experimentos financeiros e de governança que podem moldar nosso futuro como sociedade nas décadas por vir.

Quer saber mais obre temas como esse? Continue acompanhando a P2E CREW, participe do nosso Discord e nos siga nas nossas demais mídias sociais!

Disclaimer

Todos os tópicos discutidos refletem apenas as opiniões do autor e não podem ser vistas como recomendações de investimento ou posicionamentos da empresa na qual trabalha.

Deixe um comentário