NFT: A REVOLUÇÃO DA PROPRIEDADE INTELECTUAL NO MUNDO DIGITAL

Você já ouviu falar em NFT? Nos dias de hoje, é muito provável que sim. Especialmente se você joga games play to earn, cujos personagens e itens se inscrevem nessa tecnologia. Mas se você ainda não entende muito bem do que se trata, não se preocupe. Vamos explicar para você tudo sobre os mais diversos tipos de NFT: jogos, música, imagens, fotos, colecionáveis, etc.

A seguir, você vai acompanhar a definição de NFT, entender o que isso tem a ver com cópias e originais, e quais são as vantagens do NFT. Depois, você vai conhecer os tipos de NFT, saber quais são as principais coleções e como a lógica NFT entra no mundo da música, da fotografia e dos jogos. Por fim, vamos mostrar como comprar e vender NFTs e contar se é fácil ganhar uma grana com isso. Acompanhe!

O que é um NFT?

A sigla NFT significa Token Não Fungível. Essa é uma expressão difícil de entender, então vamos explicá-la para você por partes. Token é uma chave eletrônica. Talvez você já tenha precisado gerar um token para fazer login no Internet Banking do seu banco, por exemplo. Já a palavra “fungível” significa algo que pode ser trocado ou que se perde depois do uso.

Os tokens usados para acessar um Internet Banking são fungíveis. Isso significa que eles são usados para fazer um único acesso e depois são descartados. Para fazer um novo acesso, é preciso gerar um novo token. Já um Token Não Fungível não pode ser substituído e não se perde quando é usado. Ele é único e permanente.

Dessa forma, um NFT é uma chave eletrônica única e permanente. Mas essa chave dá acesso ao quê? A diversos tipos de ativos digitais, como imagens, obras de arte, músicas, roupas virtuais e personagens de jogos, por exemplo. Quando um ativo digital é um NFT, isso significa que ele é único e que, legalmente, é propriedade de alguém.

Como ativos digitais, os NFTs podem ser negociados por criptomoedas. Além disso, eles ficam registrados na blockchain, que é uma cadeira de blocos de informações com várias cópias ao redor do mundo na Internet. É algo muito seguro e eficaz.

Portanto, respondendo à pergunta que fizemos acima, um NFT pode ser uma imagem, uma obra de arte, uma música, uma roupa virtual, um personagem de jogo, etc., com o diferencial de ser único e possuir um certificado digital que garante que ele pertence a alguém. Outra forma de definir NFTs seria dizer que são conteúdos digitais escassos, permanentes e de propriedade, representados por tokens.

Se você quer saber mais sobre blockchain e criptomoedas, acesse o nosso texto: Play to earn: o que é, como funciona e os principais jogos.

Originais e cópias

O primeiro tweet do mundo.

O criador do Twitter, Jack Dorsey, vendeu o primeiro tweet que foi publicado nessa rede social por US$ 2,9 milhões. Pode ser difícil de acreditar que alguém pagaria um valor desse para ser dono de uma postagem de 24 caracteres em uma rede social. Afinal, esse tweet está disponível para todo mundo ver. É possível até tirar um print dele. Então que diferença faz ser dono dele ou não?

Para responder a essa pergunta, vamos voltar para a época em que ainda não existiam ferramentas modernas como as câmeras, por exemplo. Ser o dono de um quadro como a Monalisa, de Leonardo Da Vinci, fazia toda a diferença, pois só era possível contemplar essa imagem olhando para o quadro original. Mesmo que outro pintor fizesse uma cópia, não seria a mesma coisa.

Hoje, existem fotos da Monalisa em todos os lugares. Você pode baixar uma agora e colocar na área de trabalho do seu computador. Mesmo assim o quadro original continua sendo importante, certo?

O problema é que, quando o mundo migrou para o digital, as obras deixaram de ter originais. Ao fazer uma foto digital, por exemplo, onde estaria o original dela, se todas as cópias são iguais? O NFT veio para mudar isso. Porque o fotógrafo pode registrar essa foto como um NFT e pronto! A foto oficial é de quem tem o NFT, os outros podem até ter cópias, mas a que vale mesmo a que está registrada.

Qual a vantagem do NFT?

Crypto Lisa, de Bryan Gersalia.

Vamos voltar ao caso do tweet de US$ 2,9 milhões. Ser dono dele, em forma de NFT, significa que todo mundo pode tirar print à vontade, mas legalmente ele pertence única e exclusivamente a quem o comprou. É como ser dono da Monalisa, por exemplo. Todo mundo pode entrar, olhar, tirar foto, reproduzir as fotos por aí. Mas ela é só de uma pessoa.

Porém, o que alguém ganha sendo dono de algo como um tweet? Primeiro, status. Imagina poder dizer que o primeiro tweet do mundo é seu? Isso se torna algo exclusivo e poderoso. Segundo, direitos legais. Depois de registrar algo como NFT, ninguém mais pode usá-lo para fins comerciais sem te pagar por isso. Terceiro, valorização. Se esse tweet foi vendido por esse preço agora, imagina o quanto ele vai custar daqui a 20 anos? Afinal, trata-se de algo histórico: a primeira postagem de uma das maiores redes sociais do mundo.

Dessa maneira, músicos, fotógrafos e artistas podem garantir os direitos autorais sobre suas canções, fotos e obras de arte. Do mesmo modo, gamers podem garantir que são donos de seus personagens e itens nos jogos para vendê-los quando e por quanto quiserem.

Tipos de NFT

Os NFTs surgiram em 2015, mas só se popularizaram mesmo em 2021. Nesse período, passaram a existir NFTs de diversos tipos, como demonstramos acima com alguns exemplos. Mas a verdade é que praticamente qualquer coisa pode ser um NFT. Basta que alguém possa registrá-la como sendo única e lhe pertencendo.

No entanto, os itens registrados como NFT quase sempre existentes apenas no mundo digital. A seguir, vamos apresentar as características gerais de sete diferentes tipos de NFT:

1. Arte

O mercado de arte é um dos que mais fazem uso de NFTs para registrar a propriedade de obras de arte digital. Um dos NFTs mais caros já vendidos até hoje é uma obra chamada “Everydays: the First 5000 Days”, de um artista chamado Beeple. Ela saiu por “apenas” US$ 69,3 milhões! Essa foi a 4ª quantia mais alta já recebida por um artista vivo. A obra é um mosaico com as 5.000 primeiras obras anteriores do autor.

Não só imagens estáticas são registradas como obras de arte, mas também vídeos e até mesmo GIFs. Um vídeo de Beeple, com 10 segundos de duração, foi vendido por US$ 6,6 milhões.

Everydays: the First 5000 Days, de Beeple.

2. Música

O uso dos NFTs pela indústria da música é um dos mais revolucionários. Imagine que um cantor ou DJ lança uma música, e ela fica disponível em todas as plataformas de áudio. A música não é uma coisa que pode ser materializada para que alguém diga: “isto pertence a mim”. Mas com os NFTs é como se fosse: o cantor ou DJ pode vender o NFT da sua música para um fã, que se torna dono da única versão “verdadeira” dela (a “master”), enquanto os outros só podem ouvir as cópias.

3. Itens e personagens de jogos

Esse tipo de NFT já é bem conhecido por grande parte do público do P2E CREW. Afinal, temos falado disso em todas as nossas postagens no site. Nos jogos baseados em blockchain, os jogadores podem ser donos dos próprios personagens e itens do game. Isso faz com que o jogador possa fortalecê-los e depois vendê-los para outros jogadores, se quiser.

4. Colecionáveis

Sabe aqueles álbuns de figurinha da Copa com os jogadores das seleções? Com certeza alguns de nós tentamos completá-los nas últimas edições desse campeonato. Mesmo quem nunca colecionou essas figurinhas deve saber que algumas delas são mais raras e, por isso, valem mais. No universo dos NFTs, têm sido lançadas coleções de avatares que seguem uma lógica parecida. Todos eles são diferentes uns dos outros, mas alguns têm características mais raras.

5. Memes

É difícil imaginar que os memes possam ter um dono, né? Afinal, sua maior característica é ser espalhado em todo canto por uma quantidade enorme de pessoas. Mas eles também têm se tornado NFTs, e é possível que o meme que você compartilhou há poucos minutos numa rede social já seja legalmente de alguém. O meme mais caro até hoje foi vendido por US$ 4 milhões.

Meme Doge, vendido por US$ 4 milhões.

6. Moda virtual

Esse é um dos maiores mercados no universo NFT. Trata-se de roupas, calçados e acessórios feitos para os avatares dos compradores usarem no mundo digital. Muitas vezes, elas podem custar bem mais caro que roupas reais!

7. Jogadas esportivas

Dá para acreditar que até grandes jogadas de atletas em jogos estão se tornando NFTs? A NBA, liga de basquete dos EUA, já está fazendo isso. São vídeos de poucos segundos de um jogador marcando um ponto, por exemplo. Comprando esse vídeo, você se torno dono daquela jogada!

Coleções famosas

A CryptoPunks é uma das coleções mais antigas e valiosas.

CryptoPunks

Foi lançada em 2017 pela Larva Labs e tem 10 mil avatares. Um deles foi vendido por US$ 10,4 milhões. Cada avatar é a imagem de um punk com diferentes aparências, a partir da variação de elementos como óculos, brinco e chapéu. Os personagens foram distribuídos gratuitamente no seu lançamento, mas hoje o mais barato custa cerca de US$ 210 mil.

Art Blocks

Foi lançada em 2020. Trata-se de uma série de artes digitais geradas artificialmente por um script de computador. Os compradores não sabem qual será a aparência da obra que vão comprar, pois ela é gerada no momento da compra. Os resultados podem ser muito diferentes, desde imagens planas a tridimensionais. A obra mais cara foi vendida por US$ 5,8 milhões.

Bored Ape Yacht Club (BAYC)

Foi lançada em 2021 e tem 10 mil avatares, assim como a CryptoPunks. Do mesmo modo que ela, BAYC traz em cada avatar um macaco diferente, construído a partir da variação de 170 características possíveis. As imagens foram criadas automaticamente, com diferentes roupas, chapéus, expressões, etc. Inicialmente foram vendidos por cerca de US$ 190. Hoje o mais barato custa cerca de U$ 215 mil.

Bored Ape Yacht Club.

Mutant Ape Yacht Club

Foi lançada em 2021 e é uma coleção spin off de BAYC. Conta com mais 20 mil macacos. Inicialmente, ao invés de serem vendidos, os macacos mutantes foram dados para quem tinha macacos da coleção anterior.

O que torna um item de coleção caro?

A raridade de um item dessas coleções se dá pela escassez de alguma de suas características. Por exemplo, mesmo tendo 10.000 itens, pode ser que apenas cerca de 100 avatares de uma coleção tenham óculos escuros, por exemplo. Nesse caso, os poucos que têm óculos escuros serão muito mais caros e darão muito mais status a quem os possuir.

Coleções de avatares, como a CryptoPunks e a BAYC são ostentadas nos perfis das mídias sociais dos seus compradores. Em alguns casos, eles até alugam a imagem, por um período, para outras pessoas que não podem comprá-la.

Os NFTs no mundo da música

O Euler Beats é um projeto de música NFT lançado em 2021 que comercializou 27 masters e mais 120 cópias de cada uma delas. US$ 10 milhões foram gerados em transações em torno da comercialização dessas faixas em apenas 7 dias. As músicas desse projeto são generativas, ou seja, criadas artificialmente por softwares de computador.

Projetos como esse trabalham com uma lógica ousada: além de permitirem que uma pessoa ser dona da master da música, também permitem que outras sejam donas de cópias legítimas e legalizadas dela. Mas são poucas cópias por música. Se não conseguir uma delas, não tem mais como ser dono de uma cópia “verdadeira”.

Também em 2021, a banda Kings of Leon foi o primeiro nome da música tradicional a aderir a essa lógica e vendeu o seu novo álbum “When You See Yourself” em NFT. Com isso, a banda faturou US$ 10 milhões. Kings of Leon teve diversas músicas de sucesso mundial nas décadas de 2000 e 2010, como Use Somebody. Além do lucro, a ação também trouxe a banda aos holofotes novamente.

Os NFTs no mundo da fotografia

Foto NFT da coleção Twin Flames. Uma das fotografias mais caras da história.

Uma foto pode circular pela Internet toda sem que ninguém saiba quem é o dono dela. Isso ocorre porque muitas vezes ela é utilizada em diversas postagens sem fazer referência ao autor. Isso se torna até mesmo perigoso para o fotógrafo, que pode ter dificuldade de comprovar sua autoria. Nesse sentido, o registro como NFT ajuda muito.

Hoje existem várias plataformas em que os fotógrafos podem hospedar suas fotografias NFT e disponibilizá-las em formato de galeria para serem comercializadas. Mas para transformar uma foto em NFT basicamente é preciso entendê-la como uma crypto art, ou seja, como uma imagem artística. Afinal de conta, estamos falando de trabalhos autorais.

É preciso pagar taxas consideráveis para manter as fotos disponíveis nessas galerias digitais. Portanto, é necessário levar em consideração quais fotos valem a pena para serem transformadas em NFT, baseado nos ganhos que elas podem trazer. Em 2021, uma empresa brasileira leiloou uma foto do fotógrafo estadunidense Justin Aversano por US$ 3,6 milhões. Esta foi uma das 10 fotos mais caras da história, sendo a primeira em NFT.

Os NFTs no mundo dos jogos

O Axie Infinity é um dos jogos mais conhecidos que fazem uso de NFTs.

No mundo dos games, os NFTs se destacaram a partir de 2017, com o jogo CryptoKitties, da Dapper Labs, que se tornou um grande sucesso. Em seu auge, o game foi responsável por 95% das transações na rede Ethereum, que é a maior e mais usada blockchain. Naquela época, comprar um personagem de jogo por US$ 170 mil ainda era considerado um absurdo.

Os Jogos NFT, construídos na blockchain, permitiram o desenvolvimento do modelo play to earn, que quer dizer jogar para ganhar. No caso, ganhar dinheiro! É que o jogador é dono dos personagens, terrenos e itens que usa no jogo. Com isso, ele pode trabalhar para fortalecer esses ativos e vendê-los posteriormente para outros jogadores interessados. Um dos jogos que mais popularizaram esse formato é o Axie Infinity.

Abre-se aí também a possibilidade de criação de mundos virtuais no metaverso pertencentes aos próprios jogadores. É o que acontece em jogos como Upland, Decentraland e The Sandbox. Nos dois últimos, além de ser dono de uma parte da plataforma, o jogador ainda pode construir seus próprios games nos seus territórios e monetizá-los. Em Axie Infinity, um terreno foi vendido por US$ 2,3 milhões.

É uma revolução completa no modo de jogar, criando uma nova e potente economia, que você tem acompanhado aqui nas postagens do P2E CREW. Além dos jogos citados acima, também já falamos sobre MIR4, Illuvium, Thetan Arena, Ember Sword e Star Atlas.  

Como comprar e vender NFTs

Os NFTs são criados em uma rede blockchain a partir de uma processo chamado cunhagem (também conhecido como mintagem). Esse processo cria um token que pode ter diferentes formatos, como ERC721, ERC1155 ou zNFT. Depois disso, eles podem ser movidos para diferentes aplicativos e marketplaces.

O acesso às transações envolvendo NFTs ainda é um desafio, uma vez que a maior parte das pessoas não está acostumada e nem conhece os procedimentos necessários para negociar nesse mercado. De modo geral, é preciso ter uma carteira digital Ethereum, como a MetaMask, e comprar o Ethereum (ETH) em uma Exchange, como a Coinbase.

Também é preciso pagar taxas para concluir as transações. No caso da blockchain da Ethereum, o valor cobrado se chama taxa de gás. Como a maioria das negociações é feita nessa blockchain, esse é o procedimento padrão. Mas é necessário observar se os NFTs desejados estão sendo negociados em outra moeda.

Então é preciso comprar ou vender os NFTs em plataformas nas quais eles ficam disponíveis. A OpenSea é uma delas. Mas no caso de games, a maioria tem o seu próprio mercado interno. Essas plataformas geralmente também cobram uma taxa. Quem joga games play to earn, como muitos dos nosso leitores, provavelmente já está mais acostumado com esses procedimentos.

É fácil ganhar dinheiro com NFTs?

Ganhar dinheiro produzindo NFTs é possível, mas não é a coisa mais fácil do mundo. Estima-se que cerca de 10% dos criadores de NFTs faturem 90% dos valores negociados. É que cada vez mais NFTs são gerados, com a oferta tendendo a superar a demanda. Dessa forma, apenas alguns produtores conseguem criar um conteúdo que se destaque.

Nesse sentido, a tendência é que os NFTs passem cada vez mais por curadorias, que já apontam para os compradores interessados quais são os melhores vendedores e NFTs. Assim, mais uma taxa pode ser necessária para remunerar os curadores.

A mobilização e o engajamento da comunidade em torno de um novo artista ou coleção é importante para alavancar sua obra, por isso um curador influente pode ajudar muito.

No caso dos jogos, porém, muitas vezes o nível e os atributos de um personagem falarão por si na hora de comercializá-lo. Nesse caso, é a dedicação do jogador em upá-lo que vai fazer a diferença.

E aí, deu para entender?

Esperamos que você tenha consigo entender o que são os NFTs e porque eles estão causando uma revolução na propriedade do mundo virtual. Se você quiser continuar conversando com a gente sobre esse assunto e outros que envolvem o mundo dos games play to earn, entre no nosso Discord e também nas nossas demais redes sociais.

Se você gostou do conteúdo deste post, que tal ler também este: Metaverso: entenda de uma vez por todas.

Imagem de capa: Solana Monkey Business.

Deixe um comentário